gosto de palavras. gosto do som das palavras. gosto do som da palavra Gostar.
gosto também de escrever sempre em minusculas e decidir qual a palavra mais importante. gosto de dar mais importância às palavras que são mais importantes.
3.1.06
e serias de aromas leves e suaves,
de olhar calmo na preguiça das manhãs.
meiga e doce
puderas tu ser,
assim,
sem espinhos
imagem_ Heroische Rosen-1938 , Paul Klee
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14.12.05
5.12.05
Sempre me disse que ali moraram antepassados meus que morreram.
Para mim nunca foram vivos, sempre os conheci mortos. sei-o porque me era indiferente ouvi-la gastar-lhes os nomes, quando com o esforço de todas as rugas da face pálida e gasta se lembrava de nomes de homens e de mulheres, e da professora nova que vinha de bicicleta por entre os pinhais escuros e húmidos que lhe lembraram que tinha sido em Novembro desse ano que nascera o seu primeiro filho, que tinha já morrido num ano há muitos séculos atrás mas de que ainda se lembrava como se fosse ontem. ja te disse que és igual ao teu pai? perguntava de tempos a tempos, enquanto falava das pessoas que ali morreram. e das pessoas que ali morreram antes das pessoas que ali morreram. e das pessoas que ali morreram antes das pessoas que ali morreram antes das pessoas que ali morreram.
O negro das pingas lembrava o escuro da noite.
Ela, muito velha, pintada de exageros como quem de engano engana a morte, morreu.
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26.11.05
pausa para reflexão
dizem que ando irritado. nao. ando confuso e a precisar de respirar.
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13.11.05
e quando os corpos mornos e a roupa quente se gostam, o inverno chega em pingas geladas, perdidas no vento sem norte
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10.11.05
pinto-te em cores que só eu sei.
desenho-te em palavras num cenário que é só meu.
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5.11.05
Nunca, por mais que me cruze com as pessoas a lerem os meus livros nas paragens de autocarro, nunca, por mais que veja universitários a caminharem despreocupados com os meus livros debaixo do braço, nunca, por mais que traduzam os meus livros e haja pessoas a lê-los em línguas cheias de consoantes, nunca hei-de ficar indiferente no momento em que alguém esteja a ler um livro meu perto de mim. Nas palavras que escrevi permanece aquilo que pensei durante um momento, ou durante um ano, ou durante a vida toda. Nas palavras que escrevi permanece aquilo que fui, aquilo que não sei se ainda sou. Quando alguém lê um livro meu perto de mim, sou uma criança envergonhada.
José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão
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31.10.05
não me posso esquecer de dar uma olhadela no que estes senhores andaram a fazer e de saber do que fala este senhor no seu Advertisements for Architecture
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25.10.05
gripe
a prova provada de que informção não é o mesmo do que conhecimento é eu ainda não ter percebido se as aves de facto tossem
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24.10.05
Fechei os olhos para ver. Depois do susto, estava triste. Tinha os olhos grandes de criança cheios de um lago calmo, tinha uma ruga na pele branca da testa, tinha lábios finos a tremerem muito brandamente. Os meus olhos dentro de mim foram serenos a olhá-la. Pela primeira vez, como se me desse a mão, os seus olhos foram ainda mais doces e os seus lábios finos e belos repousaram num sorriso.
José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão
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23:27
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Menina do anel de lua e estrela
Raios de sol no céu da cidade
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade
Manhã chegando
Luzes morrendo, nesse espelho
Que é nossa cidade
Quem é você, qual o seu nome
Conta pra mim, diz como eu te encontro
Mas deixa o destino, deixe ao acaso
Quem sabe eu te encontro
De noite no Baixo
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade
Caetano Veloso, Lua e Estrela
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16.10.05
nunca conseguira perceber o que murmurava aquela voz. o som da ladaínha ecoava vezes sem conta, devolvendo o eco das paredes que ecoavam também de volta, como se a conhecessem já de cor, tantas foram as vezes que o fizeram.
arde pavio
arde-te só
arde-me
vazio
palavra sem ser
noite sem lua
alma vazia,
a tua.
arde pavio
arde-te só
arde-me
vazio
arde pavio
arde-te só
arde-me
vazio
arde pavio
arde-te só
arde-nos
Vazios.
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15.10.05
,
considerem esta frase como uma pequena virgula, que separa sem separar o tempo que passou e o que está por passar
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7.10.05
Poema em linha recta
Álvaro de Campos
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
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2.10.05
Prueba Superada!!
O problema de spam está por fim resolvido.
podem comentar, o meu antivirus não vos vai fazer mal... a não ser que eu o mande
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r.
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22:29
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este mais ponderado, mais calmo, mais consciente de si e dos seus sentimentos que convosco vai partilhando na primeira pessoa ou através de aluns personagens. O outro tímido e inseguro, às vezes estupidamente falador mas quase sempre demasiado calado, apenas observando e quase nunca intervindo.
digo-vos que sou muito dos dois. Sempre tive alguma dificuldade em relacionar-me com os demais. nunca consegui perceber porquê, mas sempre senti isso. Reconheço que tenho evoluido bastante, especialmente nos ultimos dois anos, mas sinto que tenho ainda um longo caminho a percorrer, principalmente quanto a demonstrar sentimentos e afecto. normalmente é preciso muito tempo para me sentir à vontade com uma pessoa. Para me dar a conecer, ou revelar.. enfim, como preferirem. Acontece por vezes que este processo é mais rápido, quando me identifico com alguém, quando gosto mesmo. Mas também nestas situações construo barreiras, nem sempre involuntariamente, por medo ou por qualquer outra razão semelhante. Provoco assim avanços e recuos quando deveria entregar-me sem receios.
A verdade é que não gosto de dar nas vistas, detesto ser o centro das atençoes. também por isso me refugio aqui, neste fundo preto que vêm, onde são as plavras e os seus significados que mais contam, sem jogos, sem distancias, sem ruídos, sem piadas, sem palpites. Bem sei que é por vezes uma fuga facil, mas sinto-a ainda necessária, enquanto tento mudar algumas coisas lá fora, entre mim e o mundo.
Só um desabafo
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r.
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23.9.05
Os estores estavam corridos, como quando os deixei da última vez que lá tinha entrado. Retomo mecanismos de outras chegadas e descubro sem esforço a cama. Pouso o malote em cima do colchão que penso nú e sinto o cheiro da roupa de cama por usar. Ofuscado pelos raios de fim de tarde que rompiam tímidos e escuros por entre os buracos de estore, decido por fim acender a luz. Vi aquele quarto vazio. Senti-o também vazio de mim e do que sou. Depressa se amontoaram as lembranças das noites de verão de janela aberta em que adormecia com o luar, das primeiras manhãs de primavera acordado pelas pingas molhadas que lembravam ainda o frio da noite.
Por momentos esqueci-me de mim e lembrei-me do outro que ali morava.
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r.
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23:47
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um dia destes conto-te um segredo, disse-lhe pedro. porque não contas já? axo que sei o que me vais dizer. não, um dia destes conto-te que gosto de ti.
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13:22
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21.9.05
15.9.05
saboreavam o fim de tarde em aromas de café. Olhavam-se, nos silêncios tímidos que a máquina fabricava por entre o fabrico do café. Era velha, quase antiga. Parecia existir há tanto tempo como o tempo que aqueles silêncios pareciam demorar. Conversavam. a cada silencio as palavras ecoavam vazias, como que esperando pelo olhar para dizer o que não foi dito, todo o resto, tudo. Num impulso, por falta de atenção dos dois, os olhos deixaram-se descansar no espelhar do que viam, reconhecendo o olhar de quem procura ver-se e conhecer o que vê. Souberam-se iguais, distraídos do mundo e do esconder envergonhado do sol. Ele ia por fim contar-lhe a sua estória.
Mas o segredar do café fora agora mais curto e a máquina retomou a labuta e o Vítor gritou lá longe - o café está pronto, e se continuam aí especados ainda perdem o pôr do sol. não foi p’ra isso que vieram? Não vos percebo.
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13.9.05
Trem das Cores
A franja na encosta
Cor de laranja
Capim rosa chá
O mel desses olhos luz
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
A prata do trem
A lua e a estrela
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Crianças cor de romã
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo
Ficando
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa
Que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul
Quase inexistente, azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou pra ser exato
Lábios cor de açaí
E aqui, trem das cores
Sábios projetos:
Tocar na central
E o céu de um azul
Celeste celestial
Caetano Veloso
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30.8.05
Little child
Looking trough your eyes
Assailant in your soul
Found so much love inside
Thought you could save us all
The sweet sound of your lips
Reminds me of those days
When you childly sang your heart
In love stories and lullabies
Cherished dreams we had
Back in the age of ten
Our hands and heads were small
And yet, the size of the world
r.
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03:33
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5.8.05
Talvez todos achemos que não temos total controle sobre nós, sobre a dimensão física que nos completa, que nos apresenta ao mundo dos iguais, como fronteira entre o mundo de dentro e o de fora. Penso nisto, quando de mim fujo e ao longe me vejo. Por vezes sinto a falta de ligação entre o que sou e o que mostro. Não, não, não o que mostro, mas o que se vê. Sinto por vezes uma prisão, um invólucro desajeitado que comigo coexiste, que suja de frio distante e bruto as cores macias e ternas de que pensamos ser feitos.
Invejo os que não vêm para além de si. Os que não duvidam, os que têm sempre certezas. Invejo as coisas que não pensam e apenas existem, porque para elas existir resume-se a não pensar sequer se existem.
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19.7.05
2.7.05
tentem
Escolhe um grupo e responde com títulos de temas interpretados por ele: MUSE
és masculino ou feminino?: Muscle Museum
descreve-te a ti próprio: The Smallprint
como algumas pessoas se sentem em relação a ti: Feeling Good
como é que te sentes contigo próprio: Rulled by Secrecy
descreve onde gostavas de estar: In Your World
descreve como vives: Butterflies and Hurricanes
descreve como amas: Endlessly
o que pedias se pudesses satisfazer um único desejo: Falling Away With You
partilha algumas palavras de sabedoria: Thoughts of a Dying Atheist
agora despede-te: Blackout
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00:43
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1.7.05
Linda
entrou tão insegura,
mas com tanta candura
me chamando a seus braços
Linda
me fez olhar você
nesse sem jeito tão seu
me cegando em seus traços
Linda
você me enfeitiçou
assim que você me olhou
de lá desses olhos negros
Linda
você iluminou meu dia
aqueceu minha manhã fria
com esses sorrisos largos
Linda Linda de tão Linda
que mexeu meu coração
me tirou de meus cansaços
e me fez cantar essa canção
r.Mai05
tentem outra vez, agora com pronuncia brásilêra, ao som acústico do viôlão.
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