20.2.05

Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.

A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.

Dorme, dorme. dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.

Fernando Pessoa

1.2.05

há musicas assim

eerie whispers
trapped beneath my pillow
won't let me sleep
your memories

and I know you're in this room
I'm sure I heard you sigh
Floating in between
where our worlds collide

it scares the hell out of me
and the end is all I can see
and it scares the hell out of me
and the end is all I can see

and I know the moment's near
and there's nothing you can do
look through a faithless eye
are you afraid to die?

It scares the hell out of me
and the end is all I can see
and it scares the hell out of me
and the end is all I can see

MUSE - Thoughts of a Dying Atheist

26.1.05

Se tivessem oportunidade de voltar atrás no tempo, nem que fosse por 5 minutos, que situação escolhiam? E mesmo se pudessem voltar atrás... faziam-no realmente? mesmo que o tenham dito na sinceridade do repentismo, na melhor das intenções? se algo tivesse escapado à atenção da nossa reflexão de nós, durante tanto tempo, mesmo que os estimulos da sua lembrança tenham sido vários e constantes... ao chegar fora de tempo deve ser dita ou esquecida para sempre?

hoje deixo-vos esta que é minha.

Só um pensamento, tenho andado nostálgico: Buscamos tantas vezes o paladar aveludado da lembrança e, na preguiça destes momentos, saboreamo-lo demoradamente. É uma ideia confortável, a de comprarmos de volta fragmentos do que já fomos, sonhando-os em alimento para a vida de fora.

21.1.05

"Também aqui Deus concede que não falte o enigma de viver"

"Alhures, sem dúvida, é que os poentes são. Mas até deste quarto andar sobre a cidade se pode pensar no infinito. Um infinito com armazéns em baixo, é certo, mas com estrelas no fim..."
Retirado do texto último do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

li e gostei muito, ou melhor... gostei-me lê-lo ;)

O que se faz por aqui


A Maquete está a começar

14.1.05

....

IMI - Imposto Municipal Sobre Imóveis
IMT - Imposto Municipal Sobre as Transmissoes Anerosas

Tudo está bem quando acaba bem

Impostos e Taxas



Folheando folhas brancas, meias vazias meias por escrever
apercebem-se os dedos cansados que estão fartos de tanto ler.
Param, surpresos, e meditam, no branco que lembram riscado,
na certeza de que no fim apenas aquele desenho será lembrado!

Já nem me lembrava deste desenho, na aula de impostos e taxas de PRU.
Alguém sabe o que é o IMI? e o IMT? porra

8.1.05

Hoje adormeço-me assim, na simplicidade das coisas boas e bonitas

<< Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural so que resulta do pequeno tamanho da sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se o mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade...

Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.

Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os grandes astros, e sou livre como um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.

Sou do tamanho do que vejo! Cada vez mais penso nesta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. Sou do tamanho do que vejo! Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até as altas estrelas que se reflectem nele, e, assim, em certo modo, ali estão.

E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. Sou do tamanho do que vejo! E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meionegro do horizonte.

Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvajaria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da matéria vazia.

Mas recolho-me e abrando. Sou do tamanho do que vejo! E a frase fica-me sendo a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.>>


Fernando Pessoa / Bernardo Soares - Livro do Desassossego

29.12.04

estranhas horas difíceis

Que vontade é esta
De escrever tudo o que tenho dentro
De falar nas coisas que penso
E pensar nas outras que sinto

Pesadelo de quem sou
Acordo-me num impulso
Até perceber que não fui
Senão interprete e recluso

Interprete de mim próprio
Da vontade que me acorda
De descobrir meus ideais
E encontar lugar no mundo

Recluso das ideias minhas
Pra onde tantas vezes fujo
Das coisas feias da gente
Que fazem do mundo sujo

Estranhas horas difíceis
Onde uns caem e outros subsistem
Voando nas asas dos sonhos
Vencendo os que neles existem


r.Dez/04

Estado deste Blogue

Dêm-me trabalho p'ra não me pôr a pensar na vida. Obrigado

2.12.04

Fotomontagens



r.Maio/04

Outro aparte (isto mexe mesmo comigo)

Últimas do caso casa Pia

"arquitectura Judiciária"??? advogado de defesa de um qualquer arguído
Já me disseram várias vezes que a Arquitectura é válida sobretudo pelo seu carácter multi-discilplinar...
Pois bem... coiso.

26.11.04

Uma Aparte

Permitam-me um aparte...

E ainda se diz que a produção de ficção portuguesa anda pelas ruas da amargura.
As novelas do Caso Casa Pia e do Morangos com Açucar são exemplos da boa ficção nacional.

Pessoalmente, prefiro a primeira... as temáticas do péssimo jornalismo, das perseguições dos paparazzi e dos julgamentos públicos, entre outras, são abordadas de forma tão objectiva que somos levados a reflectir sobre o que seria da nossa sociedade se tudo isto não passasse de ficção.

Fico bastante feliz por saber que os directores das grelhas dos canais generalistas partilham da mesma opinião, reservando os anteriores espaços destinados aos serviços noticiosos para a ficção 100% nacional... é de aplaudir.

P.S.: o Carlos Silvino é um achado. La Feria... põe os olhos nestes rapazes

23.11.04


queria dizer algo mas esqueci
sei que o sonhei.

Sonhei até com o lugar
onde foi pensado e escrito:
desenhado bem alto no ar
nas letras que perdi e já agora imito

Procuro-o alto e longe
ao perder-me nas nuvens que olho
assim como quem deseja adormecer
ao acordar e perder um sonho

Esqueço-o agora, já não o tenho
por entre de mim, jamais encontrado.

r. Nov2004

9.11.04

À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora

(...)
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos

Playlist

You could be my unintended
Choice to live my life extended
You could be the one I’ll always love
You could be the one who listens to my deepest inquisitions
You could be the one I’ll always love

I’ll be there as soon as I can
But I’m busy mending broken pieces of the life I had before

First there was the one who challenged
All my dreams and all my balance
She could never be as good as you

You could be my unintended
Choice to live my life extended
You should be the one I’ll always love

I’ll be there as soon as I can
But I’m busy mending broken pieces of the life I had before

I’ll be there as soon as I can
But I’m busy mending broken pieces of the life I had before

Before you

MUSE - Unintended

2.11.04

...



r.

para os outros



r.

1.11.04

para turista ver



r.

Encostei-me

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

Ah, balouçado

Na sensação das ondas,
Ah, embalado

Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado

Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio

Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos ---
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

Álvaro de Campos

Saudades

Vem Outono

Quero adormecer ouvindo chover chuvas molhadas,
Sonhá-las de noite às carradas
E senti-las pela manhã em horas passadas.

Quero sair de casa pisando fofas folhas encarnadas,
Procurar-lhes pingas suadas
Longe das poças de águas geladas.

Quero olhar o verde de branco geado
Ao despertar da luz de Nascente;
Quero que seja meu este fado
E saboreá-lo incessantente.

Que venha o Outono!
Que me desfolhe,
me chova,
e molhe.

r. Set2004

Post Primeiro

Nao sei ao que venho, sei que estou cá.


escape