às vezes gostava de ser mais assim, sem sonhos, sem desassossegos, morando todos os dias numa rotina superior a mim. mas quero ser coisas que nao tenho, quero ver coisas que nao vi, quero falar numa lingua que nao sei, quero saborear coisas das quais nem sei o nome. Todos somos um pouco egoístas.
13.3.06
25.2.06
tinha uma meia meia rota
pedi que ma cosessem
coseram-me a meia ao pé
e o pé à perna solta
tinha uma perna meia solta
pedi que ma juntassem
juntaram-me a perna ao tronco
e o tronco à cabeça louca
tinha uma cabeça meia louca
pedi que ma curassem
ataram-me a cabeça aos pés
e os pés às meias rotas
os buracos das duas meias
eram mesmo por entre os dedos
entravam o frio e o mau tempo
e gelavam-me as idéias
Fui comprar linha e dedal
a pé de perna junto ao tronco
cosi eu as duas meias
e tratei do meu próprio mal
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16.2.06
menina triste de olhos secos
que nada mais podem chorar
quem te levou todas as lágrimas
e sorrisos de tanto gostar
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29.1.06
Estas palavras são puramente introspectivas.
Não é minha intenção enviar mensagens ou recados.
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24.1.06
desassossego porque vens sempre que espreito por mim
e procuras nas palavras de outros maneira tua de ser assim
escondo-me.
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Arctic Monkeys
O melhor da brit pop ainda está pra vir. Tudo a (re)começar com estes senhores
O primeiro álbum está para sair, chama-se "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" e já está disponível por aí noutros locais menos legais
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16.1.06
há coisas que me recuso a discutir. Por exemplo: a diferença entre homens e mulheres. São seres diferentes e cada um tem qualidades e defeitos. Em ambos os lados há seres humanos inteligentes que vale a pena conhecer e se alguém argumenta o contrario é porque ainda não teve essa felicidade.
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14.1.06
Argumento Hollywoodesco
o nosso psiquiatra suicida-se imediatamente após a nossa hora de conversa.
Por peso na consciência, entramos numa viagem introspectiva por todas as nossas sessões e por toda a nossa vida. Vasculhamos a vida do psiquiatra, procuramos um elo de ligação entre a nossa e a dele, algo que explicasse o motivo. A procura torna-se obssessiva, há perseguições, partidas do nosso cérebro a nós próprios, realidades alternativas, tudo muito ao estilo vanilla sky, com côres e horizontes distorcidos em tons de sépia.
imagem_ House of Stairs- M C Escher
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9.1.06
dono das ideias escuras,
profundas, como as cantigas tristes,
nao sei por quem ainda procuras
quando só tu em ti existes.
moldas palavras que choram
vidas que podias ter sido
esperando em sonhos que foram
memórias de um tempo perdido.
com este punhal te trago à vida,
enterrando-to bem fundo no peito.
que pelo rasgar da carne te doa
e pela dor te levantes do leito.
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4.1.06
Pergunto-me muitas vezes se não haverá uma lei da publicidade que possa proibir a proliferação de anúncios a conteúdos para telemoveis na televisão portuguesa. Como espectador sinto-me insultado pela sua maioria. Até na noite de Natal. Nem na quadra natalícia quando são abundantes os programas do tipo natal dos hospitais e os estímulos para que sejamos melhores pessoas a ética televisiva se sobrepôs por momentos ao dinheiro da publicidade. Parece que é um problema só possivel de resolver com um boicote por parte dos nossos telemoveis... apesar de ainda me custar a crer que haja pessoas que de facto compram o que esse tipo de anúncios tem para nos vender.
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3.1.06
gosto de palavras. gosto do som das palavras. gosto do som da palavra Gostar.
gosto também de escrever sempre em minusculas e decidir qual a palavra mais importante. gosto de dar mais importância às palavras que são mais importantes.
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e serias de aromas leves e suaves,
de olhar calmo na preguiça das manhãs.
meiga e doce
puderas tu ser,
assim,
sem espinhos
imagem_ Heroische Rosen-1938 , Paul Klee
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14.12.05
5.12.05
Sempre me disse que ali moraram antepassados meus que morreram.
Para mim nunca foram vivos, sempre os conheci mortos. sei-o porque me era indiferente ouvi-la gastar-lhes os nomes, quando com o esforço de todas as rugas da face pálida e gasta se lembrava de nomes de homens e de mulheres, e da professora nova que vinha de bicicleta por entre os pinhais escuros e húmidos que lhe lembraram que tinha sido em Novembro desse ano que nascera o seu primeiro filho, que tinha já morrido num ano há muitos séculos atrás mas de que ainda se lembrava como se fosse ontem. ja te disse que és igual ao teu pai? perguntava de tempos a tempos, enquanto falava das pessoas que ali morreram. e das pessoas que ali morreram antes das pessoas que ali morreram. e das pessoas que ali morreram antes das pessoas que ali morreram antes das pessoas que ali morreram.
O negro das pingas lembrava o escuro da noite.
Ela, muito velha, pintada de exageros como quem de engano engana a morte, morreu.
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26.11.05
pausa para reflexão
dizem que ando irritado. nao. ando confuso e a precisar de respirar.
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13.11.05
e quando os corpos mornos e a roupa quente se gostam, o inverno chega em pingas geladas, perdidas no vento sem norte
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10.11.05
pinto-te em cores que só eu sei.
desenho-te em palavras num cenário que é só meu.
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5.11.05
Nunca, por mais que me cruze com as pessoas a lerem os meus livros nas paragens de autocarro, nunca, por mais que veja universitários a caminharem despreocupados com os meus livros debaixo do braço, nunca, por mais que traduzam os meus livros e haja pessoas a lê-los em línguas cheias de consoantes, nunca hei-de ficar indiferente no momento em que alguém esteja a ler um livro meu perto de mim. Nas palavras que escrevi permanece aquilo que pensei durante um momento, ou durante um ano, ou durante a vida toda. Nas palavras que escrevi permanece aquilo que fui, aquilo que não sei se ainda sou. Quando alguém lê um livro meu perto de mim, sou uma criança envergonhada.
José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão
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31.10.05
não me posso esquecer de dar uma olhadela no que estes senhores andaram a fazer e de saber do que fala este senhor no seu Advertisements for Architecture
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00:43
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25.10.05
gripe
a prova provada de que informção não é o mesmo do que conhecimento é eu ainda não ter percebido se as aves de facto tossem
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13:56
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24.10.05
Fechei os olhos para ver. Depois do susto, estava triste. Tinha os olhos grandes de criança cheios de um lago calmo, tinha uma ruga na pele branca da testa, tinha lábios finos a tremerem muito brandamente. Os meus olhos dentro de mim foram serenos a olhá-la. Pela primeira vez, como se me desse a mão, os seus olhos foram ainda mais doces e os seus lábios finos e belos repousaram num sorriso.
José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão
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Menina do anel de lua e estrela
Raios de sol no céu da cidade
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade
Manhã chegando
Luzes morrendo, nesse espelho
Que é nossa cidade
Quem é você, qual o seu nome
Conta pra mim, diz como eu te encontro
Mas deixa o destino, deixe ao acaso
Quem sabe eu te encontro
De noite no Baixo
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade
Caetano Veloso, Lua e Estrela
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16.10.05
nunca conseguira perceber o que murmurava aquela voz. o som da ladaínha ecoava vezes sem conta, devolvendo o eco das paredes que ecoavam também de volta, como se a conhecessem já de cor, tantas foram as vezes que o fizeram.
arde pavio
arde-te só
arde-me
vazio
palavra sem ser
noite sem lua
alma vazia,
a tua.
arde pavio
arde-te só
arde-me
vazio
arde pavio
arde-te só
arde-me
vazio
arde pavio
arde-te só
arde-nos
Vazios.
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15.10.05
,
considerem esta frase como uma pequena virgula, que separa sem separar o tempo que passou e o que está por passar
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7.10.05
Poema em linha recta
Álvaro de Campos
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
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2.10.05
Prueba Superada!!
O problema de spam está por fim resolvido.
podem comentar, o meu antivirus não vos vai fazer mal... a não ser que eu o mande
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este mais ponderado, mais calmo, mais consciente de si e dos seus sentimentos que convosco vai partilhando na primeira pessoa ou através de aluns personagens. O outro tímido e inseguro, às vezes estupidamente falador mas quase sempre demasiado calado, apenas observando e quase nunca intervindo.
digo-vos que sou muito dos dois. Sempre tive alguma dificuldade em relacionar-me com os demais. nunca consegui perceber porquê, mas sempre senti isso. Reconheço que tenho evoluido bastante, especialmente nos ultimos dois anos, mas sinto que tenho ainda um longo caminho a percorrer, principalmente quanto a demonstrar sentimentos e afecto. normalmente é preciso muito tempo para me sentir à vontade com uma pessoa. Para me dar a conecer, ou revelar.. enfim, como preferirem. Acontece por vezes que este processo é mais rápido, quando me identifico com alguém, quando gosto mesmo. Mas também nestas situações construo barreiras, nem sempre involuntariamente, por medo ou por qualquer outra razão semelhante. Provoco assim avanços e recuos quando deveria entregar-me sem receios.
A verdade é que não gosto de dar nas vistas, detesto ser o centro das atençoes. também por isso me refugio aqui, neste fundo preto que vêm, onde são as plavras e os seus significados que mais contam, sem jogos, sem distancias, sem ruídos, sem piadas, sem palpites. Bem sei que é por vezes uma fuga facil, mas sinto-a ainda necessária, enquanto tento mudar algumas coisas lá fora, entre mim e o mundo.
Só um desabafo
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r.
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